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Canteiros de obras digitais edificam futuro da construção e engenharia

Fonte: Valor Econômico

Canteiros de obras digitais edificam futuro da construção e engenharia

Ao gerenciar melhor os projetos por meio da inteligência artificial e de metodologias como o BIM, companhias conseguem aumentar a produtividade e reduzir riscos

Para lidar com um mercado cada vez mais exigente e competitivo, o segmento de construção e engenharia tem lançado mão de novas tecnologias como a inteligência artificial (IA) e de metodologias como o Building Information Modelling (BIM) para planejar adequadamente todas as fases das obras e integrar todas as informações referentes aos projetos. Inovações que prometem obras mais baratas, rápidas, seguras e sustentáveis.

Na Construtora Barbosa Mello (CBM), primeira colocada no segmento do prêmio do anuário Valor Inovação Brasil 2025, o foco está nos ganhos operacionais, ambientais e sociais, além da consolidação de um modelo de construção digital que entregue obras mais seguras e eficientes. “Consideramos a inovação um pilar estratégico dentro do compromisso de entregar as melhores soluções de engenharia por meio de um modelo de construção digital integrado, promovendo uma operação mais segura, produtiva e sustentável”, diz Alícia Figueiró, vice-presidente corporativa da CBM.

Os investimentos em inovação na CBM variam, em média, entre 3% e 5% da receita líquida — de acordo com o momento do negócio e a maturidade das frentes de inovação em andamento. Em 2024, esse volume se aproximou de 5% da receita, informa a executiva. Atualmente, mais de cem colaboradores atuam diretamente em iniciativas de inovação e tecnologia aplicada, desenvolvendo soluções de engenharia que aprimoram a execução e a entrega dos projetos. “A CBM opera com uma estrutura integrada dedicada a inovação, conectando competências estratégicas ao longo de toda a cadeia de valor.”

Em um projeto recente, de alta complexidade, o modelo de construção digital foi complementado pelo uso de equipamentos não tripulados de segunda geração, o que trouxe segurança ao processo e aumentou a produtividade, segundo informações da empresa. Com uso de IA, o sistema permite monitoramento de indicadores de eficiência em tempo real.

Outro exemplo da geração de valor com inovação foi a execução da nova pista de pouso e decolagem do Aeroporto de Macaé (RJ). No projeto, o fluxo de construção digital foi aplicado de ponta a ponta, partindo da concepção e engenharia da obra com uso de modelagem BIM para identificar sequências mais eficientes, planejar com precisão e antecipar restrições à execução dos serviços. Pelo BIM, os componentes da construção são representados em terceira dimensão, junto das informações referentes a todos os componentes — uma das vantagens é visualizar e compreender a obra como um todo. O projeto gerou aumento de 15% na produtividade, redução de riscos à segurança dos colaboradores e otimização de custos e volume de diesel, com menores emissões de carbono.

Ganhar eficiência, antecipar cenários e criar diferenciais competitivos é o que motiva as apostas em inovação na Andrade Gutierrez, segunda colocada no segmento. A empresa investe em média 5% da receita bruta em inovação, distribuídos entre diferentes áreas e projetos, segundo André Medina, superintendente de inovação da companhia.

Um dos avanços conquistados foi o uso de IA no planejamento de obras. “Isso nos deu até sete vezes mais agilidade nas simulações e reduziu o prazo em obras de rodovias, portos e térmicas em até 19%”, diz Medina. Outro exemplo foi o framework BIM 5D, que melhorou o controle de custos, diminuiu em 50% o tempo de cotação e ampliou em 30% a produtividade da equipe de suprimentos. No total, segundo ele, os projetos de inovação colocados na plataforma já geraram R$ 380 milhões em redução de custos nos últimos três anos.

Boa parte das iniciativas é desenvolvida por meio de parcerias com universidades, fornecedores, clientes, pesquisadores e startups. Neste ano, a Andrade Gutierrez criou também a Vetor AG Ventures para adquirir participação acionária em startups que façam sentido para o seu negócio. Hoje, o portfólio já tem 11 empresas.

A Timenow, terceira no ranking do setor, se apoia na inovação, porque entende que o segmento como um todo vive um processo de profundas mudanças. Fundada em 1996, a empresa usa inovação como diferencial para se manter no mercado há 29 anos, segundo Walter Tadeu de Lima Maia, diretor de inovação, digital e investimentos estratégicos da Timenow.

A empresa capixaba também é investidora em startups. Ela já adquiriu o controle de cinco delas até o momento: Industriall, ConstructIN, Oppen, Futurai e Dersalis. Mas cerca de 200 dessas companhias iniciantes fazem parte do Platt, um hub criado pela Timenow para se relacionar com as startups que tenham algo para agregar ao seu negócio. “Aquelas que fazem muito sentido para a Timenow avançam para o funil de investimento e acabam sendo adquiridas”, diz o executivo.

Uma das diretrizes do departamento nos últimos anos tem sido a IA. Em 2024, a companhia lançou o Kyno, sua própria IA generativa aplicada a gerenciamento de projetos para acelerar a capacidade de entrega dos profissionais. Em outra frente, há sete anos a companhia implantou um programa de ideias para estimular seus mais de 2.300 colaboradores a sugerir inovações. Já são mais de oito mil ideias geradas, das quais cerca de 20% implementadas no dia a dia da companhia, segundo o diretor. No caso do Kyno, 40% dos colaboradores em algum momento já o utilizaram em suas atividades, de acordo com Maia.

No caso da Engeform Engenharia, quarta colocada no segmento, inovação é a saída para se manter atualizada mesmo após quase 50 anos de atuação. “Justamente por respeitar tanto a nossa trajetória, sabemos que não podemos parar no tempo”, diz André Abucham, diretor-superintendente da Engeform. “Nosso setor exige cada vez mais agilidade, tecnologia, eficiência e responsabilidade socioambiental”, afirma. A ideia é que a inovação seja a ponte entre a tradição e o futuro que a empresa quer construir.

A empresa tem um hub de inovação para acelerar startups, testa tecnologias em seus canteiros, investe em IA e em novas práticas construtivas, explica Abucham. Mais de 70 embaixadores da inovação foram formados pelo Programa Engenheirar da Engeform, transformando as ideias do time em melhorias reais de produtividade e economia.

Para engajar o corpo de funcionários, a empresa criou a Academia Engeform, espaço de aprendizagem contínua e de troca entre gerações. “Ali fomentamos uma cultura de escuta, coragem para errar, vontade de testar e compromisso com o aprimoramento constante”, afirma o executivo.

A Engeform destina cerca de 1% da sua receita operacional líquida às iniciativas de inovação. Segundo Abucham, a companhia tem investido principalmente na industrialização da construção civil, na digitalização de processos e na IA. “Os investimentos têm sido direcionados às áreas de engenharia civil e infraestrutura, especialmente nos segmentos de edificação e saneamento, nos quais buscamos ganhos operacionais e padronização construtiva.”

As iniciativas são criadas com diversos parceiros externos, como startups, universidades, consultorias, fornecedores e até outras construtoras em consórcios. No momento, a Engeform é investidora em quatro startups: Iza, Ambar, nstech e Una Connect. Um exemplo recente foi a implantação do sistema robótico de instalação para elevadores em uma obra em São Paulo. Utilizar o robô permitiu automatizar a colocação de trilhos de elevadores com mais precisão e segurança, menor tempo de execução e redução da exposição dos trabalhadores a riscos.

Estimular as parcerias com universidades e startups também é parte da estratégia da Concremat, quinta colocada no ranking do setor, para se manter relevante e atualizada. A ênfase é em melhoria da produtividade, ganhos de produção e redução de custos. Hoje, a empresa trabalha com pouco mais de 20 startups. “Isso está na nossa busca para nos mantermos competitivos e mostrar ao mercado que somos uma companhia que tem valor agregado”, diz João Vitor de Souza Teixeira, coordenador de FP&A, estratégia e inovação da empresa. Segundo ele, a aquisição de startups não está no foco no momento.

Nos últimos três anos, o investimento em inovação aumentou 40%, de acordo com Teixeira, e hoje representa 1% da receita da empresa. Um dos frutos do investimento em inovação é a Stant, uma plataforma mobile utilizada para os serviços de gerenciamento, supervisão e fiscalização de obras, com o monitoramento frequente de todas as atividades. Os indicadores são gerenciados através de uma plataforma web. Essa digitalização dos processos de coleta de dados em campo gera cerca de 80% de redução de tempo na disponibilização das informações, quando comparado aos métodos de inspeção tradicionais, de acordo com a empresa. A Stant vem sendo utilizada em aeroportos, portos, edificações, rodovias, dutovias, estações de tratamento de água/esgoto, parques eólicos, linhas de transmissão, subestações e tubulações.

Entre as soluções desenvolvidas para os clientes está o InfoMap, um sistema proprietário aplicado em obras lineares que promove um aumento de produtividade de 90% na geração de relatórios estratégicos e gerenciais. Com a consolidação visual do status de todo o empreendimento, o InfoMap agrega valor ao processo decisório dos clientes. O sistema substitui a solução analógica usada anteriormente, que não fazia uso inteligente dos dados e dava muito mais trabalho.

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