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Em qual posição estamos na adequação ao movimento ESG?

Por André Abucham, diretor-superintendente da Engeform Engenharia

Desde o início do mês de fevereiro, estive envolvido em inúmeras agendas focadas em ESG, termo em inglês que significa Environmental, Social & Governance (Ambiental, Social e Governança), representando o investimento das empresas nessas frentes. Foram tantas trocas e reflexões – a última na quarta-feira passada, em um encontro do Centro Tecnologia de Edificações (CTE) – que decidi compartilhar um pouco da minha visão sobre o tema.

Certamente você já deve ter ouvido falar sobre esse assunto. Mas por que o destaque agora?

Trata-se de um movimento que se fortaleceu mundialmente nos últimos anos, sobretudo com a crise de saúde provocada pelo novo coronavírus. Neste cenário, as empresas que já tinham ações relacionadas aos pilares do ESG conseguiram se posicionar melhor, gerir o momento de forma mais eficaz, manter seus negócios e cuidar de seus times. Ao mesmo tempo, investidores por todo o planeta passaram a pressionar ainda mais as organizações para que atuem com uma cultura sustentável e prestem contas à sociedade.

Para se ter uma ideia, um estudo de tendências produzido pela ACE e Exame Academy destacou que, nos Estados Unidos, o valor investido em fundos que olham para companhias adeptas ao ESG quadruplicou nos últimos três anos. Já no Brasil, a B3 tem um índice para acompanhar o desempenho de empresas que seguem as melhores práticas relacionadas à responsabilidade social e ambiental.

Sei que temos um caminho considerável pela frente, mas refletindo sobre o contexto e fazendo o exercício de olhar para dentro de casa – no meu caso, para dentro da Engeform – percebo que não estamos começando do zero.

A maioria das empresas já possui iniciativas que se enquadram nos princípios do ESG. O que falta é olhar para elas sob a ótica da sustentabilidade, reorganizando-as em um mesmo guarda-chuva. Com um mapeamento feito, é possível traçar um diagnóstico e ressignificar as KPIs, definindo o que se quer mensurar pensando no futuro.

O principal nesse processo é mudar o mindset e colocar o propósito em primeiro lugar. Empresas que buscam o lucro a qualquer custo já não têm mais espaço no mercado.

Acredito muito que qualquer movimento de mudança começa com as pessoas. Isso se aplica integralmente ao ESG, pois os agentes transformadores são membros da alta direção, quem têm a missão de fomentar, propagar, incentivar, facilitar e endossar as estratégias; e cada um dos integrantes dos times corporativos que, trabalhando de forma colaborativa e multidisciplinar, com uma gestão humana e alinhada, vão atrás das tendências, implementam as ações, constroem soluções e disseminam a cultura organizacional.

Na Engeform, como diretor-superintendente, tenho orgulho de ter puxado as primeiras discussões sobre o tema. Essa é mais uma iniciativa que começou com o YPO, comunidade global que conecta jovens presidentes de empresas pelo mundo, da qual sou diretor de Learning em São Paulo. Tive uma imersão bastante profunda sobre o ESG com esse grupo e comecei a refletir sobre a posição da empresa que lidero nesse processo.

Rapidamente, me dei conta que temos muita coisa. Aqui, nossos princípios e valores são consolidados e se refletem em nossa atuação. Esse modo de ser já nos impulsionou a realizar nosso dever de casa. Montamos um comitê para liderar a agenda ESG e mapeamos todas as iniciativas já realizadas nas frentes ambiental, social e de governança. Sabíamos eram muitas, mas não tínhamos ideia do quanto, antes de olhar para tudo com a mesma perspectiva.

Nosso mercado tem potencial para ser impulsionador de um mundo mais sustentável e consciente, por meio de obras de saúde, saneamento e infraestrutura. Mas o que conseguimos fazer além dessas entregas? Por aqui, temos ações que vão desde processos mais sustentáveis de lavagem de pincéis nos canteiros, até a mobilização para a doação de cestas básicas, construção e gestão de edifícios Green Buildings e concepção e operação de parques eólicos. Neste momento, iniciaremos a nossa fase de diagnóstico para conseguirmos traçar novas metas.

Concluo essa reflexão com um pensamento que compartilhei nos últimos encontros que participei. Nessa “onda” do ESG, muitas pessoas se questionam sobre o quanto as empresas realmente vão se comprometer com a causa ou vão “vender” iniciativas e buscar certificações sem estarem engajadas, de fato.

Em minha visão, companhias que tentarem montar uma “vitrine”, sem o real compromisso de se transformar e contribuir com um planeta melhor, não conseguirão se sustentar por muito tempo. Como disse acima, a sustentabilidade de qualquer negócio está diretamente relacionada a um propósito forte, um time saudável, alinhado e motivado, e a uma cultura sólida, baseada em valores fundamentais para as tomadas de decisão.

E a sua empresa, em qual fase está nesse processo?

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