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Engeform mostra ocupação de espaço na construção civil

Empresa importante do grupo de médias companhias do setor de construção, a Engeform diversifica seus negócios, incluindo crescimento de serviços, investimento em energia eólica e desenvolvimento imobiliário no mercado corporativo do tipo Triple A.

Fonte: InfraRoi

A crise político-econômica atingiu a construção civil em pleno voo. A paralisação das grandes empresas do setor, envolvidas na operação Lava Jato, foi descendo na cadeia e afetou o grupo das médias construtoras. Diferentemente das grandes, onde o faturamento anual é contabilizado na casa dos bilhões – 5, 7 ou mesmo 10, dependendo da companhia – as médias estão no patamar dos milhões e não têm capital e/ou o aparato técnico complexo para assumir o vácuo deixado pelas gigantes. A solução? Diversificar.

No caso da Engeform, com três unidades de negócios – engenharia, desenvolvimento imobiliário e energia renovável – a iniciativa tem dado certo. Baseada em São Paulo, a empresa mantém uma carteira de engenharia focada em empreendimentos de saúde e saneamento. Em ambos, é difícil fugir do setor público, mas a diversificação acontece com projetos privados, caso dos dois contratos recentes para construção de hospitais. Em saneamento, a construtora finalizou, no primeiro trimestre, duas das mais importantes obras do segmento, ambas para a Sabesp.

São elas: a expansão da estação de tratamento de esgoto (ETE) Barueri, na Grande São Paulo, e a esperada transposição das bacias hidrográficas Jaguari-Atibainha, empreendimento que tem uma área de influência sobre 39 milhões de pessoas. No caso da ETE, a Engeform repetiu a parceria de décadas com a Passarelli, outra construtora sediada em São Paulo. A estação, aliás, é velha conhecida da Engeform, que participou da montagem eletromecânica da obra quando ela foi construída na década de 1990. Com capacidade para 16,2 m³, a ETE é a maior da América do Sul, mas já foi a maior da América Latina.

Parceria com Serveng, Passarelli e J.Dantas em dois projetos de saneamento

Para a engenheira Simone Vallilo, diretora de Novos Negócios da Engeform e gestora dos dois projetos de saneamento citados, o maior desafio da expansão da estação de tratamento de esgoto foi a troca de equipamentos ao mesmo tempo em que a ETE não poderia ser completamente paralisada. E com equipamentos importados da Espanha. A crise hídrica de 2015 também complicou o meio de campo da obra, uma vez que a Sabesp precisou concentrar-se no fornecimento de água.

Afortunadamente, a Engeform estava com o outro pé justamente no empreendimento de transposição entre as duas bacias, que demandou a construção de um corredor de quase 20 km de túneis e dois anos de execução. Já operacional, a obra permite uma vazão de 8,5 m³/s. Consorciada com a Serveng e com a J.Dantas, a Engeform participou das decisões técnicas a partir do projeto executivo elaborado pela Geocompany, contratada da Sabesp. O investimento de R$ 555 milhões foi financiado pelo BNDES e foi a primeira obra de saneamento sob o Regime Diferenciado de Contratação (RDC).

A oxigenação dos negócios também passa pelo desenvolvimento imobiliário, área separada da divisão de engenharia e focada em projetos de prédios corporativos de alto padrão (Triple A). Nesse caso, a Engeform tem a expertise de construção, o que facilita seu avanço no setor. De certa forma, a companhia repete o que acontece nas obras de saneamento e saúde, onde o histórico de empreendimentos já realizados é um ativo significativo.

Investimento em energia está concentrado nos parques eólicos no Nordeste

A segunda frente de oxigenação é o investimento em energias renováveis, mais especificamente parques de geração eólica no Nordeste. A empresa já detém a participação na geração de mais de 100 MW e tem a ideia de expandir a atuação, sempre consorciada. “Entramos no segmento há mais de seis anos, inicialmente investindo em pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), onde não temos mais negócios, e avançamos para a geração eólica”, explica Simone. Diferentemente da área de desenvolvimento imobiliário, centrada em São Paulo, os investimentos em renováveis não tem fronteiras definidas. A Engeform, no entanto, não atua como construtora.

A diversificação também acontece no aumento do faturamento da área de serviços, que já representaria 30% dos resultados da empresa, segundo o diretor Comercial Marcelo Castro. O escopo envolve iniciativas como o atendimento de serviços de campo de distribuidoras de energia elétrica. Somente na Light, ela tem um exército de quase mil homens e 500 veículos em operação. Para a Enel, a Engeform emprega outros 1,2 mil profissionais e mesmo volume de veículos, atendendo cerca de 70% da área de cobertura da concessionária no Rio de Janeiro.

“Há uma profissionalização crescente no segmento, com a substituição de empresas menores por companhias como a Engeform”, resume Castro. De acordo com ele, a entrada no segmento vem acontecendo nos últimos cinco anos e tem como ponto forte o melhor nível de gestão, com equipes treinadas e um padrão de atendimento.

O executivo também avalia que haverá uma transição no setor público, com a maior adoção de parcerias público-privadas (PPPs) em substituição aos contratos de serviços regidos pela Lei 8.666 (de licitações e contratos administrativos). Castro, no entanto, sugere que deve haver mudanças que tragam garantias ao parceiro privado. É o caso da recente PPP para iluminação pública da capital paulista. O desconforto com as garantias fez a Engeform desistir do processo. Projetos viáveis para ele devem envolver – em iluminação pública – pelo menos 50 mil pontos.

Retomada da infraestrutura começa e papel de entrantes será testado

A entrada mais incisiva em infraestrutura também poderia acontecer no setor de saneamento, onde a experiência da Engeform está consolidada como construtora especializada, principalmente na execução civil e na montagem eletromecânica. O perfil da empresa é similar ao de companhias como a Aegea, concessionária tradicional do setor, mas não existe nada de concreto a respeito.

Sobre a crise da construção civil, Castro avalia que há sinais de reação, inclusive porque existe uma demanda reprimida na área de infraestrutura. “Não posso falar pelos grandes grupos, mas esperamos que os acordos de leniência avancem”, diz. O executivo lembra que, diferentemente do que se previa, não houve a ocupação do espaço deixado pelas grandes.

Além de capital para financiar as obras, a ausência de capacitação técnica específica em grandes projetos pesou contra. O resultado foi a paralisação citada no começo desse texto. Sobre o papel de empreendedores chineses e indianos – os entrantes, considerando que construtoras europeias e norte-americanas já têm tradição no Brasil – ele está para ser testado nos próximos cinco anos.

“Os entrantes ganharam leilões de transmissão de energia e são projetos que vão começar a operar a partir de 2021. Com isso, veremos na prática a participação desses grupos como players locais”, finaliza Castro.

Para acompanhar a íntegra da matéria acesse aqui.

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